quarta-feira, 11 de março de 2015

Origem do "amor" doentio

Por E.


Ontem foi falado aqui no blog sobre aquele tipo de sentimento que as pessoas comumente chamam de amor, mas que muitas vezes acaba se tornando uma doença. Quando deixamos de cuidar de nós mesmos e passamos a dar prioridade a outra pessoa. Quando nosso foco é o outro e achamos que sem ele nada faz sentido. Quando depositamos nossa felicidade única e exclusivamente no que o outro tem a nos oferecer. Ficamos assim escravos e a mercê do outro, pois se ele por acaso não nos amar, ou não quiser mais ficar junto, o que fazer agora? Já estava tão acostumado a viver a vida de outra pessoa que ao se deparar com a própria vida acha que ela é vazia, não faz sentido...

Para sair desse vazio existencial é preciso muita força. Mais que isso, é preciso mudar o paradigma. Tem que aprender a se amar. Perceber que também precisa de cuidados e que nem sempre pode esperar esse cuidado de outra pessoa. A primeira pessoa a cuidar de você tem que ser você mesmo. Só assim outros lhe darão valor, pois se nem a própria pessoa se ama e valoriza nenhum outro provavelmente o fará. 

Mas hoje vou falar mais sobre a origem desse sentimento doentio que as pessoas confundem com amor.

Em todos os lugares vemos relacionamentos dando errado e pessoas infelizes com isso. Não são apenas mulheres que se envolvem com dependentes químicos que acabam se tornando co dependentes. Quantas e quantas mulheres tem vidas profissionais estáveis, são bonitas mas não conseguem parar em um casamento? Se elas estivessem felizes e realizadas solteiras tudo bem, o problemas é que em geral o que vemos é o contrário: a grande angústia de muitas pessoas (na maioria mulheres) é não conseguir ter um relacionamento bacana.

Tudo que atraímos para nós é consequência do que emanamos por aí. Lei do retorno. Parece simples, mas não é. Muitas vezes nem entendemos o motivo para estarmos atraindo algo negativo pois o nosso inconsciente é influenciado a ser negativo... No mundo em que vivemos é mensagem subliminar o tempo todo e se não despertamos pra isso somos facilmente manipulados.

Por exemplo, no livro mais famoso do mundo, logo nas primeiras páginas está escrito que o homem e a mulher viviam em um paraíso mas foram expulsos de lá porque a mulher levou o homem a pecar. Com isso entende-se que a culpada de tudo é a mulher. Se não vivemos até hoje em um paraíso, se envelhecemos, adoecemos, sentimos dor, temos que sofrer, etc... tudo é culpa na mulher.

Nesse mesmo livro fala-se que o criador é uma figura masculina. É chamado de pai, senhor, sempre substantivos e adjetivos masculinos. Com isso entende-se que a mulher não pode ser sagrada. Que o homem é superior a mulher. Chegam-se até a conclusões que a mulher é suja, que merece sofrer, ser violentada, usada, decepada... E quando uma cultura cultua o sagrado feminino é chamada de bruxaria, coisa do diabo... Tem que matar na fogueira.

Nos dias atuais, como estão sendo educadas nossas meninas? Ao nascer já as enchemos de bonecas, para que aprendam desde cedo a ser mães. Também há outros brinquedos: casinha, panelinhas, fogãozinho, roupinhas, ferrinho de passar... E se o irmão quer brincar de casinha também logo vem a repressão, pois isso não é brincadeira de menino. Menino deve jogar bola, empinar pipa, brincar de carrinho, aviãozinho, barquinho... Ou seja: homem pode se divertir e ter profissão, mulher tem que cuidar das crianças e da casa.

Quem são os personagens favoritos das meninas? As princesas. E como são suas histórias? Elas passam por várias aventuras, sempre tem uma bruxa querendo atrapalhar, elas sofrem, sofrem, sofrem... Mas aí quase no fim da história aparece um príncipe encantado (que ninguém sabe de onde vem, nem o seu nome, mas isso não importa) e as salva daquela vida ruim, e num passe de mágica eles vivem felizes para sempre. Imagine o que somos programadas a aprendemos com isso? Não há final feliz sem a chegada de um príncipe encantado. É responsabilidade dele nos salvar de todo mal e nos fazer feliz. A nós cabe esperar lá no alto da torre, ou dentro de um caixão de cristal, ou adormecida, que com sua bravura ele vença a bruxa, o dragão, todo mundo e me salve com um beijo...

Enquanto isso os meninos sonham em ser super heróis. São estimulados a desenvolverem super poderes, a superar os desafios da vida, a voar, a eles próprios vencerem os vilões.

Veem a diferença??? Não é de se admirar que as mulheres deem tanto mais importância a relacionamentos que os homens. Afinal, um homem solteirão é o garanhão, a mulher solteirona é a encalhada... O homem pode ser vitorioso solteiro ou casado, a mulher não. Pode ocupar o mais alto posto profissionalmente que se não é casada não é vista com bons olhos. Ela mesma não consegue ser feliz com isso e acha que tem algo de errada com ela. E de fato tem: essas crenças que ela foi adquirindo no decorrer da vida, isso é que está errado. É isso que a faz se sentir infeliz e incompleta sem um homem. 

Não sou contra os relacionamentos mas o ideal é que as pessoas entendessem que ninguém pode depositar sua própria felicidade nos outros. Até porque o outro não é nenhum príncipe encantado nem princesa. É apenas outro ser humano como nós, tentando crescer, caminhando. Deveríamos nos unir para compartilhar aprendizados, experiências, alegrias, carinho, amizade, afeto... E admirar essas coisas um no outro. 

Se achamos que somos seres incompletos e que precisamos do outro para nos completar, a cada decepção amorosa é como se um pedaço fosse arrancado e precisássemos urgentemente encontrar alguém que preencha esse vazio. Ou então de tanto se decepcionar a pessoa desiste e acaba virando alguém amargurado, fechado, que não deixa mais ninguém entrar... Não que isso a torne feliz, ela apenas o faz pois acredita que assim está se protegendo, quando na verdade ela sofre pois se sente incapaz de amar e ser amada. Se culpa e culpa toda humanidade (ninguém presta!). Assim seu sofrimento tá ali doendo dia a dia, mas está mascarado atrás de alguém que vive na balada, que não gosta de compromisso, ou de alguém que gosta de ficar sozinho, que coloca o profissional acima da vida pessoal etc...

Não estou dizendo que não se possa ser feliz solteiro. É claro que pode, mas quando isso é realmente uma opção da pessoa. Não quando ela está assim por medo de se envolver, medo de sofrer, por consequência de decepções do passado.

Mulheres, libertem-se! Não esperem a felicidade vir montada em um belo cavalo branco. Vão a luta e encontrem sua felicidade. Ela está dentro de você. Beijar um sapo não vai fazê-lo virar príncipe! Na verdade, príncipes não existem. O que existem são seres humanos com qualidades e defeitos. Cabe a cada um descobrir quais qualidades procura e quais defeitos é capaz de suportar. A pessoa que você atrairá é consequência da energia que você emana ao universo. Então se você acha que não merece um relacionamento bacana só vai atrair tranqueira. Se você quer desesperadamente alguém o universo entende que qualquer coisa serve. Se você morre de medo de se envolver com outra tranqueira, imagina o que vem? Rsrs... Você cria a própria realidade, querendo ou não. Que tal começar a fazer isso a seu favor?








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